Protestos no Irã ganham força e desafiam regime clerical em diversas cidades

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Multidões tomaram as ruas de Teerã e de outras grandes cidades do Irã nos últimos dias, em manifestações que já estão sendo classificadas como a maior demonstração de força da oposição ao regime clerical nos últimos anos. Os protestos marcam um novo capítulo da instabilidade política no país e aumentam a pressão sobre o governo liderado pelo aiatolá Ali Khamenei.

Vídeos amplamente compartilhados nas redes sociais mostram grandes concentrações de pessoas em avenidas centrais, entoando palavras de ordem contra o atual sistema de poder e pedindo mudanças profundas na estrutura política iraniana.

Manifestantes pedem saída de Khamenei e retorno da monarquia

Entre os principais gritos ouvidos nas manifestações estão pedidos explícitos pela deposição do Líder Supremo do Irã, Ali Khamenei, figura central do regime desde 1989. Em diversos registros, manifestantes também clamam pelo retorno de Reza Pahlavi, filho do último xá do Irã, Mohammad Reza Pahlavi, derrubado pela Revolução Islâmica de 1979.

Reza Pahlavi, que vive no exílio, havia feito recentemente apelos públicos para que seus apoiadores fossem às ruas, incentivando protestos pacíficos contra o regime clerical. Para parte dos manifestantes, ele simboliza uma alternativa política ao atual sistema teocrático.

Protestos confirmados em Teerã e Mashhad

Imagens de manifestações pacíficas em Teerã e em Mashhad, a segunda maior cidade do Irã, na noite desta quinta-feira (08/01), foram verificadas pela BBC Persian, serviço em língua persa da emissora britânica.

Segundo a emissora, os protestos ocorreram em diferentes bairros, com participação significativa de jovens e famílias. Não há, até o momento, números oficiais sobre o total de manifestantes, mas analistas indicam que a adesão foi maior do que em protestos recentes.

Apagão nacional de internet levanta alerta

A agência internacional de monitoramento da internet NetBlocks afirmou ter detectado um “apagão nacional” no Irã, com interrupções generalizadas no acesso à rede. Segundo a organização, a medida é compatível com ações adotadas pelo governo iraniano em momentos de crise para dificultar a comunicação entre manifestantes e o compartilhamento de informações.

Especialistas afirmam que o bloqueio da internet é uma estratégia recorrente do regime para conter mobilizações populares e reduzir a visibilidade internacional dos protestos.

Histórico de repressão e tensão social

O Irã enfrenta ondas recorrentes de protestos nos últimos anos, motivadas por uma combinação de fatores, como crise econômica, inflação elevada, sanções internacionais, restrições às liberdades individuais e repressão política.

Manifestações anteriores foram duramente reprimidas pelas forças de segurança, com registros de prisões em massa, violência policial e mortes, segundo organizações de direitos humanos. O temor de nova repressão permanece entre os manifestantes.

Reação do governo e silêncio oficial

Até o momento, autoridades iranianas não emitiram um posicionamento oficial detalhado sobre a dimensão dos protestos. A mídia estatal tem tratado os atos de forma limitada, classificando-os como “isolados” ou “orquestrados por forças estrangeiras”.

O silêncio parcial do governo e o bloqueio de comunicações aumentam a preocupação da comunidade internacional sobre possíveis violações de direitos humanos.